Porquê usar o flash?.

PORQUÊ USAR O FLASH?

Muitos fotógrafos apresentam alguma resistência quanto à utilização do flash, outros pensam que é suficiente colocar o flash no modo TTL e está tudo resolvido e entendido quanto à luz de flash.

O fotógrafo que pretende aperfeiçoar a sua prática fotográfica e eventualmente tornar-se um fotografo profissional, deve aprender a usar o flash .

Talvez uma dos maiores obstáculos para um fotógrafo consiste em compreender como a cena que está a ver à frente dos seus olhos será registada pelo sensor digital da sua máquina fotográfica. Os nossos olhos são infinitamente mais sensíveis que qualquer fotómetro, os nossos olhos conseguem captar diferenças de contraste muito superiores aos das nossas máquinas fotográficas. Os nossos olhos vêm duzentas vezes mais alterações de contraste que as nossas câmaras.

Por forma a explicar este conceito vamos observar a fotografia abaixo à esquerda (Fotografia 1). É uma fotografia na qual temos um pôr do sol em segundo plano e uma pessoa no primeiro plano. O olho humano consegue ver todos os detalhes de uma fotografia deste género, o céu, o mar, a pessoa e as texturas.

A diferença entre as altas luzes (zona mais brilhante da imagem) e as baixas luzes (zona mais escura) é maior do que o contraste que o sensor consegue registar. Se ajustarmos a exposição para as altas luzes (céu), vou forçar a câmara a escurecer o primeiro plano, o que pode ser interessante para criar uma silhueta.

Se eu tivesse escolhido uma velocidade bastante inferior à utilizada, por exemplo 1 segundo para a mesma abertura, teria conseguido captar os detalhes do primeiro plano, mas perdia a beleza do céu tornado-se sobre exposto, sem detalhe. Ao escolher a velocidade do obturador de 1 segundo  e sem recurso a um tripé, muito provavelmente teria uma imagem tremida dada a baixíssima velocidade.

Para simular esta situação veja-se a fotografia abaixo, fotografia 2. Exagerámos em Lightroom os efeitos da exposição para as área de sombra. Desta forma, 
conseguimos ver o primeiro plano mas agora o céu deixou de ser tão interessante como na foto anterior. Como fazer com que o sensor capte a imagem que os meus olhos estão a ver? A resposta será diminuir o contraste da cena introduzindo luz nas áreas de sombra e assim alterar a exposição das baixas luzes (Fotografia 3).

Fotografia 1
Fotografia 2
Fotografia 3

A função básica do flash será a de diminuir o contraste de uma imagem.

Quando usar o flash?

O flash pode ser utilizado em muitas situações. Ao nascer do sol, ao meio dia, em ambientes interiores ou exteriores, ao pôr do sol, à noite, entre muitas outras situações. O nosso flash não passa de uma fonte de luz auxiliar que podemos recorrer para diminuir o contraste de uma cena, de iluminar o nosso assunto.

A utilização do flash dependerá das nossas ideias e concepções artísticas, daquilo que pretendemos criar.

Como funciona o flash?

O funcionamento de um flash segue a uma fórmula matemática simples:

Nº guia = abertura x distância

A distância corresponde ao número de metros que separa o flash do assunto fotografado, é importante ter presente que nos estamos a referir à distância do flash e não a distância do fotógrafo em relação ao assunto.

A abertura corresponde ao quanto aberto ou fechado está o diafragma da lente.

O resultado da multiplicação da abertura pela distância é expresso em metros, assim, o número guia (NG) é uma unidade de distância. Quanto mais elevado for o valor do número guia de uma flash, mais potente este será, já que maior será a área de cobertura da luz (mais metros ilumina). Assim surge a noção de número guia associado à potência do flash.

Por exemplo o número guia do flash Quadralite Stroboss é de 60 metros para ISO 100 a 200mm. Ao mudar a sensibilidade ISO do meu sensor eu estou a alterar a potência do flash, variando também o seu número-guia, mas ao contrário do que se pode esperar a relação não é linear, o valor não duplica se a sensibilidade duplicar.

Alguns modelos de flash, como é o caso do Stroboss 60 têm a capacidade de concentrar o feixe de luz de forma automática quando se modifica a distância focal da objcetiva e assim, quanto mais concentrado o feixe de luz, maior o número guia.

Em suma, quanto maior for a sensibilidade do sensor, a abertura da objectiva e a posição do flash em relação ao assunto, mais potente o flash se torna e por conseguinte menos baterias se gastam.

Para se fotografar com flash será necessário fazer contas de multiplicar usando a fórmula anterior?

Não, felizmente não é necessário. Os modelos actuais são capazes de fazer estes cálculos mais rapidamente que nós e com inúmeras vantagens. Os flashes modernos fazem a monitorização constante da luz gerada.

Flash no modo TTL

Na imagem à esquerda colocámos uma fotografia do visor do flash Canon 600RT.
A vermelho está indicada a abertura da lente f6.3 e a distância que o flash consegue iluminar o nosso assunto correctamente. Assim, quando o foco é estabelecido num plano dentro de 0.7 metros a 6.0 metros a objectiva envia a distância correcta para o flash e, tendo em conta a interpretação do fotómetro da máquina fotográfica, o flash calcula por quanto tempo a luz deve incidir no assunto a fotografar.

Recomendamos o Flash TTL Stroboss 60 da marca Quadralite. Flashes com qualidade profissional a um preço muito em conta. Compatíveis com as principais marcas de máquinas fotográficas: Canon, Fujifilm, Nikon e Sony.

Este sistema seria perfeito não fosse o facto do fotómetro da câmara poder ser enganado ao comparar tons demasiadamente claros ou escuros com o padrão cinza 18% e passar essa interpretação “errada” para o flash. 

As iniciais TTL nos flashes informam que o flash conta com as informações do sistema de exposição da nossa câmara fotográfica. Para beneficiarmos de todas as vantagens do flash em modo TTL devemos ter bem presentes os conceitos sobre exposição. A única coisa que o flash em TTL nos pede para fazer é que devemos medir correctamente a luz da cena e o flash em TTL trata de a iluminar.

Na fórmula Nº Guia = abertura x distância não nos é dada nenhuma referência à velocidade do obturador?  

Mas porquê que esta fórmula não considera essa variável presente no triângulo da exposição?

Um flash pode disparar toda a sua luz na sua potência máxima em apenas um milésimo de segundo . Na menor carga (1/128), a velocidade pode chegar a quase quarenta vezes esse valor (por exemplo se com a potencia máxima a luz do flash esta acesa durante 1/1000 segundos, para a potência de 1/128 teria de estar ligado somente durante em 1/40.000 segundos).

Qualquer um destas velocidades são muito mais rápidas que a velocidade de qualquer obturador existente nas câmaras actuais. O obturador de uma DSLR é constituído por duas cortinas que se deslocam em sincronia, controlando o tempo que a luz atinge o sensor.  A velocidade máxima de sincronismo varia de modelo para modelo, por exemplo a Canon 80D  tem uma máxima velocidade de sincronismo de 1/250 segundos enquanto na Nikon D5500 essa velocidade é de 1/200 segundos

velocidade de sincronismo normal
Velocidade de sincronismo normal

A partir de uma determinada velocidade (acima da máxima velocidade de sincronismo), a segunda cortina move-se antes que a primeira atinja o fim do seu percurso. Deixa de haver uma janela que expõe totalmente o sensor à luz passando a existir uma fresta de luz que se desloca rapidamente.

Alta Velocidade de Sincronismo HSS
Alta velocidade de sincronismo (HSS)

A maior velocidade que sincroniza a abertura total do obturador com o disparo do flash é designada de velocidade de sincronismo. Esta velocidade varia de câmara para câmara sendo recomendado a consulta do manual para obter essa informação.

Para sincronizar a câmara com o flash acima da velocidade de sincronismo é necessário habilitar a funcionalidade do flash designada por HSS (Alta Velocidade de Sincronismo). De referir que nem todos os flashes possuem esta tecnologia.

Obturador velocidade normal e hss
Velocidade de sincronismo normal e velocidade alta (HSS)

Em termos muito simples a tecnologia HSS emite pequenos pacotes de luz enquanto as cortinas se movem ao longo do sensor iluminando todo a sua área. Esta tecnologia reduz a potência do flash assim como consome bastante energia das suas pilhas. 

Sugestões de leitura

A contraluz é uma forma de fotografar um determinado assunto, por exemplo uma pessoa, com uma luz de fundo mais forte do que aquela que ilumina o próprio assunto. O que se pretende é fazer com que o assunto a ser fotografado fique na própria sombra projectado por ele. O assunto… 

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Enfatizar os olhos da pessoa ou pessoas que estamos a fotografar é uma das primeiras dicas que contribuirá para uma melhor fotografia de retrato. Os olhos podem ser destacados quando o ponto de foco esta localizado nos … olhos! Recomendo que se escolha a selecção manual do ponto de focagem..

Opinião

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Quando programamos o flash no modo Manual o flash debita a mesma quantidade de luz cada vez que é pedido para disparar. Se pedirmos ao flash para disparar a ¼ da potência máxima, o flash vai debitar sempre a mesma quantidade de luz: ¼ da sua capacidade total.

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